sexta-feira, 29 de outubro de 2010

8. Ei pá quem me dera ter um negócio próprio...

Olá!
Normalmente quem tem a sua própria empresa, refere que seria bastante mais fácil trabalhar por conta de outrem e quem trabalha por conta de outrém está farto de aturar o chefe, alimentando diariamente o sonho de ter um negócio próprio.
Embora te faça lembrar a música do António Variações ("Estou bem onde não estou porque eu só quero ir onde não vou"), é um problema que só entende quem passa pela situação.

Hoje não te vou escrever teorias sobre a vida, mas sim o que aconteceu comigo nestes últimos anos.

Quando terminei a licenciatura, tive a oportunidade de iniciar um estágio numa das maiores empresas nacionais. O choque foi imenso.
Ficava sentado 85% do dia e quando olhava à minha volta parecia que estava num lar de dia, pois aquelas pessoas estavam  fazer coisas com tão pouco interesse e com tão pouco impacto na vida delas. 
Com 8 dias de empresa, estava cheio e saturado daquilo e pensava "Ei pá... onde me vim meter.".
"Como é que estás pessoas aguentam isto??" - perguntava eu. Estas pessoas estavam fechadas dentro de si próprias, guerreando umas com as outras, suportando um supervisor que não tinha familia nem vida fora da empresa. A empresa era a vida dele... e para a maior parte daqueles pessoas a empresa e a inutilidade que faziam, era a vida delas... Isto assustava-me profundamente e sinceramente rejeitava a ideia de entrar naquele comboio para "Lado Nenhum".

Alguns anos anos mais tarde...

Estava eu na minha secretária a ver o mundo passar quando me pensei: "Estou farto disto. A minha vida não tem significado, vou abrir um negócio meu.".
Comecei por pesquisar áreas de negócio rentáveis e quando encontrei a área, iniciei a esquematização do negócio:

- Número de funcionários
- Material a comprar
- Volume estimado de negócio mensal
- Financiamento necessário
- Desenho da imagem da empresa e esquematizar o plano de marketing
- Fazer o site da empresa
- Procurar imóvel
- Desenhar o aspecto final das instalações
- Pesquisar as licenças necessárias para o negócio funcionar 100%

Esta fase demorou 6 meses e foi totalmente feita à noite, pois continuava a trabalhar.
Em inícios deste ano começaram as obras no imóvel. Gerir a obra foi fasntástico... passar do desenho para a realidade foi excelente.

A fase de construção foi realmente enriquecedora e memorável.

Quando o imóvel estava já praticamente pronto, recrutamos as pessoas que pensamos ser as certas e perto do Verão arrancamos o negócio.

Como não ia estar lá presencialmente, nomeei um funcionário como Manager do espaço.

O negócio começou muito bem, com muitos clientes, mas à medida que o tempo ia passando, a qualidade do serviço foi diminuindo... Porquê? Os contratos tinham 1 mês de experiência, em que a qualquer momento poderia despedir o funcionário. Durante esse período foi tudo fantástico. Quando esse período acabou, foi um pesadelo diário... Os funcionários apanharam-se com vínculo e começou a dor de cabeça:

Conflitos diários ocorriam na equipa e pouco podia fazer, pois não estava lá para o resolver na hora... apenas ia lá ao final do dia e o Manager revelou-se fraco. Fazia reuniões diárias ao final da tarde onde incentivava a equipa e tentava estabelecer regras... mas foi muito complicado pilotar à distância:

- Negavam-se a trabalhar para além dos horários de trabalho
- Quando trabalhavam mais 5 minutos, apontavam, numa agenda para depois apresentarem
- Um funcionário simulou variadas vezes doença, para faltar ao trabalho e para sair mais cedo
Quanto às simulações, nada podia fazer, pois tinha sempre o comprovativo do médico do Posto Médico.
- Conflitos e mais conflitos
- Falta de cortesia com os clientes
- Um dos funcionários estava sempre a queixar-se, havia sempre algo para se queixar

O sonho, rapidamente virou pesadelo... começava a ficar arrependido por ter investido o meu dinheiro precioso...

Deves estar a pensar: "Gil, despedias o funcionário". As leis laborais em Portugal protegem imenso um colaborador e para o despedirmos temos de o indeminizar ou senão ter uma razão fortíssima para o mandar para a rua com justa causa.

Onde chegou o negócio? Claro... a lado nenhum... farto de aturar funcionários, contabilistas, impostos pesados do estado e tudo o mais, decidi terminar com aquilo alguns meses depois.
Mandei os funcionários para a rua e por incrível que pareça ficaram felizes, pois iam para casa com o subsídio de desemprego…

Só para teres ideia... sabes quanto uma empresa paga por ti?

Imagina que ganhas 500€. A empresa paga por ti 710€. Sabes porquê? Existe um imposto sobre o ordenado de um funcionário que é de aprox. 27%, sabias? Pois... a empresa paga à parte... só comecei a dar valor quando o comecei a pagar...

Hoje respeito imenso quem tem uma empresa e entendo as dificuldades a elas inerentes. Não é fácil manter um negócio e ter pessoas à nossa conta é das piores coisas que há, de certeza não me meto noutra. Hei-de ter outros negócios, mas não empregarei mais ninguém!

Bem o negócio já fechou e agora tenho de pagar o que lá investi... pelo menos arrisquei... vivi e aprendi muito, pena que não resultou... Tenho hoje um respeito enorme pelas pessoas que conseguem manter o seu próprio negócio, pois não é nada fácil.

O que te aconselho... abre o teu negócio, fica tu a geri-lo e não tenhas empregados!

Gil

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

7. A jangada e os telhados de ouro


Olá!
Com os últimos acontecimentos políticos e face à minha situação actual no país, leva a que pense cada vez mais na difícil tarefa de emigrar.

Gostaria de te referir um facto histórico: As viagens de Marco Polo à Asia!

Durante muitos anos os Europeus ficaram loucos e extasiados ao ouvir os fantásticos relatos de Marco Pólo sobre o que encontrou na Ásia, nomeadamente China e Japão. Referia nos seus relatos grandes cidades com telhados de ouro, material bastante apetecido pelos estados europeus.

Estas crónicas de Marco, originou a obsessão da descoberta de caminhos para o Oriente. Todos queriam chegar ao oriente e derreter aquelas telhas e enriquecer!
A verdade é que quando europeus conseguiram "furar" o caminho para a Ásia, a desilusão foi geral: "Mas afinal onde está o ouro?".

Perguntas-me agora: "Gil, porque me contaste isto?"
Muitos portugueses, incluindo eu próprio, vêem no estrangeiro o seu El Dorado... o local onde ganham melhor, onde têm melhor qualidade de vida, onde podem exercer a sua área de formação, onde podem evoluir, enfim... onde podem viver! Mas será que o El Dorado existe mesmo?

Estou a escrever este artigo porque me sinto profundamente confuso... tenho receio de procurar o El Dorado e de nunca o encontrar, acabando por morrer de malária na selva, como muitos exploradores do Séc. XVI.

Sair do meu país nesta altura é como abandonar um navio que está lentamente a fundar, confiando a minha sorte a uma jangada feita de sonhos jogada ao grande oceano...
Se não abandonar o barco a tempo, ele pode-me arrastar para o fundo do mar, mas se for na jangada, esta poderá ser destruída numa tempestade em alto mar...

Eu acredito em vidas passadas e sinto que os meus genes cada vez me pedem mais insistentemente para ver o mundo... ter experiências...

Sentes o mesmo? Podes ver testemunhos de pessoas que emigraram aqui: http://mindthisgap.blogspot.com/

Com esta afirmação termino o artigo de hoje:
Portugal embateu num iceberg há bastante tempo e está-se a afundar... lembras-te do que aconteceu ao Titanic?
A 1ª Classe salvou-se… a 2ª e restantes classes, ainda hoje repousam no fundo Atlântico Norte...
Será que não vale a pena atirar-nos já ao oceano na nossa jangada feita de sonhos?


Gil

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

6. O nosso monstro "sem-forma"

Olá!
Em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, JK Rowling apresenta um monstro muito interessante. Este chama-se "sem-forma" e não possui forma original, assumindo a identidade daquilo que mais tememos, daí o seu nome. A única forma de lidarmos com ele é aplicando o feitiço "Ridiculus", anulando o poder do monstro ridicularizando a sua existência.

Ora muito bem, embora pareça um conto infantil, este monstro existe na nossa vida quotidiana, e que por vezes nos atormenta vezes sem conta.
Parece-te forçado? Vou dar exemplos...

- Há pessoas que têm medo de andar sozinhas na rua, referindo que todos olham para elas
- Há pessoas que têm medo de falar em público, devido ao medo de errar e do julgamento dos outros
- Há pessoas que têm vergonha do seu aspecto físico ou da forma como falam

Enfim estaria aqui horas a escrever exemplos... o medo é um monstro global e cada um lhe dá a forma que quiser.

O medo afecta-nos a vida e evita que nós arrisquemos fazer aquilo que no momento nos parece o melhor trilho para chegar á felicidade.
Este sentimento torna-nos as pernas dormentes, afecta-nos a capacidade de pensar e de falar.

Quantas vezes estavas tão nervoso no teste de matemática que nem conseguias pegar na caneta para escrever ou até te esquecias do teu nome quando ias preencher o cabeçalho?

Um dos medos mais comuns entre aqueles que buscam o reconhecimento é o medo do julgamento dos outros. Aquilo que vos vou contar vai-vos espantar!

Aristóteles, Lewis Carrol, Churchill, Charles Darwin, Newton, Scatman John, Moisés, Marylin Monroe, Napoleão, Roosevelt, Virgilio, Bruce Willis, James Earl Jones, Samuel Jackson, ente outros famosos sofriam de gaguez severa aquando adolescentes.

Este fenómeno de dislexia da fala, está provado cientificamente como sendo resultado de excesso de tensão no momento de falar. Esta tensão provoca o enrijecimento dos músculos das cordas vocais, levando a deficiência de fluência.

Todos os exemplos tinham o mesmo medo: O julgamento do outro.
O seu medo era tão grande que evitavam ao máximo o contacto com as pessoas e quanto estabeleciam contacto era terrível!

Qual foi o feitiço "Ridiculus" que aplicaram para vencer este monstro?

- Scatman Jonh, Marylin Monroe, Bruce Willis e Samuel Jackson inscreveram-se na escola de teatro para vencer o medo de falar em público
- Charles Darwin e Newton nunca chegaram a vencer o monstro, mas ainda bem em nome da ciência, pois devido ao seu isolamento hoje temos as suas teorias fantásticas
- Aristóteles, Moisés, Churchill, Napoleão e Roosevelt conseguiram vencer o monstro, quando perceberam que as pessoas entendiam e apoiavam as suas ideias

Analise os seus medos, encare de frente o seu monstro "sem-forma" e aplique-lhe o feitiço "Ridiculus" ainda hoje!

Gil

terça-feira, 26 de outubro de 2010

5. Amizade... uma estranha relação...


Olá!
Posso dizer que só confio plenamente em 5% das pessoas que conheço, logo podem catalogar-me como uma pessoa que dorme sempre com um olho aberto. Exagero? Talvez um pouco...
Do meio escolar ao meio laboral poucas são as diferenças, sinceramente... Na escola tínhamos pessoas que se faziam nossas amigas para conseguirem os nossos apontamentos e no trabalho temos pessoas que se fazem de nossas amigas para conseguirem promoção ou porque esperam o nosso apoio nalguma decisão futura.
Quanto mais estudo e analiso a raça humana, mais fico com a certeza da imprevisibilidade dos seus pensamentos e mais estimo os outros animais.
Há bons amigos e maus amigos e há bons familiares e maus familiares. No início todos são óptimos, mas ao passar o tempo, há certos rastilhos que vão sendo acesos, levando a que certas bombas rebentem nas nossas mãos.

Na idade da inocência ter um amigo, significava não estar sozinho na escola ou nas brincadeiras diárias. Todos os que participavam connosco nas brincadeiras eram nossos amigos! A partir de uma certa altura, começamos a entender o mundo e a ganhar certas "maldades" e "espertices". A partir desse momento, é necessário ter muito cuidado com as amizades que se vão criando, pois nunca se sabe a razão pela qual essa pessoa decidiu ser nosso amigo.
Repara numa coisa... com quantos colegas de escola ainda manténs contacto? Estás a ver o que digo... muito poucos... a razão é simples, eram companheiros de luta e eram-nos "úteis" para tornar a escola um local suportável, evitando a solidão. Quando essa realidade acabou, as ligações deixaram de fazer sentido e cada pessoa foi para seu lado.
Mas nem tudo é mau... há companheiros de luta que guardo no meu coração com muito carinho, tanto rapazes como raparigas. Tivemos momentos fantásticos, momentos que não se esquecem, momentos imortais.
Se já foste à tropa, deves recordar alguns companheiros com saudade... é natural... foram aliados num ambiente austero e foi a vossa união que levou a que vencessem a recruta.
Afinal... o que é a amizade? Como se desenvolve e como a podemos manter fiel? Este é de facto um grande mistério...
Na sua generalidade, podemos concluir que os amigos são gerados devido às inseguranças existentes nos meios adversos onde interagem. Queres mais um exemplo? As 4 meninas da série Sexo e a Cidade.
Eram 4 pessoas inseguras, todas solteiras e todas fracassadas no amor, entregues à solidão de uma mega metrópole chamada Nova Iorque. Se a Carrie tivesse uma relação estável com o Big, se a Michele e a Miranda tivessem casado mais cedo e se a Samantha fosse estável no campo sentimental, quase aposto que não tinham desenvolvido aquele sentimento fortíssimo que as unia.

Um dos maiores vírus para as amizades: Rivalidade! Um dos inimigos nº1 das amizades...

A rivalidade é um sentimento natural, mas venenoso. Por vezes é tão forte que se chega a estragar uma amizade, pois leva-nos a dizer e a fazer coisas inadmissíveis.
Aposto que já tiveram um amigo que não vos emprestou um apontamento para ter melhor nota numa disciplina ou um colega de tropa que disse mal de ti para cair nas graças do Sargento.

Leitor, tens de estar atento. Ter amigos é maravilhoso, mas cuidado! Quanto maiores os nossos feitos, mais sensíveis ficam os rastilhos dos amigos, e como tal maiores probabilidades temos de encarar um “amigo-bomba".

Como conclusão deixo-vos este apontamento histórico...

"Em Fevereiro, Marco António ofereceu um diadema, símbolo de um rei, a César, que o rejeitou com veemência. No entanto, o episódio valeu-lhe a desconfiança dos seus pares que começaram a recear a sua ambição. Pouco depois, César foi assassinado numa reunião do senado, nos Idos de Março (15 de Março) de 44 a.C., por um grupo de senadores que acreditavam agir em defesa da República.
Entre eles contavam-se os seus antigos protegidos Marco Bruto e Caio Cássio.

César caiu aos pés de uma estátua de Pompeu e as suas últimas palavras são descritas em várias versões:

Kai su, teknon? (em grego, "tu também, meu filho?")
Tu quoque, Brute, filii mei! (em latim, "Tu também, Bruto, meu filho!")
Et tu, Brute? (em latim, "Até tu, Bruto?", versão imortalizada na peça de Shakespeare)

Gil

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

4. Continuo com a minha caravela apontada para Oeste!

Olá!
Por muito bem remunerado que seja um emprego, por vezes não nos satisfaz devido à falta de realização.
Esta falta de realização poderá ter várias justificações, tais como não estarmos a fazer o que gostamos, por acharmos que o que fazemos não nos valoriza ou simplesmente por não gostarmos das pessoas que nos rodeiam. É bastante natural hoje em dia encontrar pessoas (sobretudo licenciados) com graus de insatisfação enormes.

Vou-te explicar a minha visão deste fenómeno...

Desde criança que os nossos pais nos incentivam a estudar, a ser o melhor aluno, a saber todas as matérias, para se cheguar ao 12º ano altamente preparado para arrancar uma boa média. Nesta fase olhamos para o 12º como um ano decisivo nas nossas vidas...
Estudamos, estudamos, estudamos,..., estudamos, e no final: Parabéns! Excelentes notas nos exames nacionais e excelente média final!
Conseguimos entrar na faculdade... naquele curso que sonhamos toda uma vida... mas quando colocamos um pé na faculdade verificamos que afinal aquele sítio que tanto fantasiamos durante 18 anos, é bastante e demasiado terreno... a começar nas aulas e a acabar nas instalações...Mas ok... é isto que eu tenho...
Começamos a estudar e a ganhar gosto pela licenciatura e aí vamos nós a todo o vapor... temos 5 anos pela frente e temos de arrancar uma média fenomenal para conseguirmos ter convites de boas empresas no final (pelo menos isto era o que eu pensava).
Chegamos ao final... tinha conseguido encontrar o meu Santo Graal... tinha o canudo nas mãos... Neste momento senti-me extasiado, festa rija pela noite dentro...
No dia seguinte estava eu deitado a olhar para a minha estante de livros técnicos e a pensar "Ei pá já não tenho de estudar... porreiro".
Quando saltei da cama, senti-me um pouco perdido... e agora o que ia fazer? Até então tinha um destino e agora que o tinha alcançado sentia-me perdido, sem rumo, como um barco sem vela e leme... completamente à deriva...
Comecei por procurar trabalho e entrei rapidamente no mundo laboral...
Passada a 1ª semana da ilusão, olhei à minha volta e pensei: "Estudei tanto para isto?". E este sentimento é como um fantasma que nos assombra o nosso subconsciente e que nos deita abaixo a nossa auto-estima...
"Licenciaste-te? Grande coisa..." é o que todos à minha volta parecem querer dizer com o seu olhar e aquilo que nós achavamos que era o objectivo de uma vida e um grande feito, não era nada mais nada menos que o bilhete para poder participar e assistir a esta novela que é o mundo laboral...
No mundo laboral, não interessa a faculdade de onde vimos, a média que tivemos ou mesmo o número de anos que demoramos a tirar a licenciatura...
é igual e todos têm os mesmos direitos... os que mais se auto-publicitam são os que ganham a parada, levando a que nem sempre os melhores sejam reconhecidos
como tal...
  
É muito estranho verificar que o sonho de uma vida, afinal não tinha razão de ser... Imaginem que o Cristóvão Colombo, tinha voltado para trás sem ter encontrado a América... o que faria da vida dele? qual seria o novo objectivo?

Após falar com várias pessoas, comecei a verificar que os conselhos que me davam era: "tens sorte, estás estável no emprego" ou "é a vida" ou ainda "não é fácil para ninguém". Estes conselhos não me satisfazem!

E então é nesta fase que simplesmente deixamos de pensar... desligamos a consciência e simplesmente deixamos-nos levar e deixamos de sentir...
Mas muito cuidado...não devemos ignorar os alertas do nosso espírito... temos de lutar para estarmos bem e em paz connosco próprios.
Eu continuo com a minha caravela apontada para Oeste... e um dia hei-de encontrar terra firme.
E tu? Em que direcção está a tua caravela?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

3. A Análise ABC da nossa rotina diária

Olá,
Hoje vamos fazer uma análise ABC da rotina diária de um cidadão comum.
Estimei as acções efectuadas por cada pessoa na sua rotina, considerando que não tem hobbies frequentes e o seu dia-a-dia resume-se a actividades em casa ou no trabalho (o que acontece a 70% das pessoas).

Ok, mas Gil, o que é a análise ABC?
Análise ABC ou princípio de Paretto foi criado pelo economista italiano Vilfredo Pareto há mais de cem anos.
De acordo com este estudo, existe um forte desequilíbrio entre acções e os objetivos alcançados.
A proporção, criada apenas para estabelecer uma referência, indica que 80% dos resultados que atingimos se relacionam a 20% dos nossos esforços.

De seguida apresento uma rotina diária normal e o tempo médio que gastamos em cada operação:

                                   Tempo(h)  (%)
Dormir                                     7            29,07%
Necessidades Liquidas             0,25        1,04%
Necessidades Sólidas              0,5         2,08%
Lanche                                    0,5         2,08%
Pequeno-Almoço                      0,42        1,73%
Almoçar                                   1            4,15%
Viagem emprego <-> casa         1            4,15%
Emprego                                  9            37,37%
Comprar Pão                            0,17        0,69%
Fazer o jantar                           0,75        3,11%
Jantar                                      1            4,15%
Ver TV                                     1            4,15%
Dar uma volta a pé                    0,5         2,08%
Actualizar Facebook                 0,5         2,08%
Ver e-mail pessoal                    0,5         2,08%

Aglomerando:

                 Relativo  Acumulado
Emprego              37.37%    37,37%
Dormir                 29.07%    66,44%
Alimentação         15.92%    82,36%
-----------------------------------------------------
Lazer                   6.23%     88,59%
Viagem                4,15%     92,74%
Internet em casa   4,15%     96,89%
Necessidades      3,11%     100%

O que diz a nossa análise ABC?
As acções com maior importancia no nosso dia-a-dia é o nosso emprego, dormir e comer. Todas as restantes operações seriam no plano económico desprezáveis.
Se analisarmos num plano macro, a nossa vida resume-se a muito pouco. Com este género de rotina diária, limitamo-nos a sobreviver.

E a tua análise ABC, como será? Analisa-te e muda já a tua rotina diária!

Gil

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

2. Interpretar a Introdução e mais alguma coisa

Olá,
O texto anterior poderá parecer uma simples história de negócios, mas a verdade é que a nossa vida é um negócio e nós e o nosso know-how somos o produto que está a venda todos os dias.
Aliás a diferença entre a nossa vida e a de um electrodoméstico não é assim tão grande. Duvida? Vamos ver então...
É projectado por uma equipa de forma a ser uma inovação face aos concorrentes: Com melhor poupança energética, mais pequeno e mais fiável que a concorrência.
Após estar desenvolvido o protótipo, vai para uma entidade competente para ser certificado, sendo de seguida colocado no mercado.
Uma vez no mercado, atravessa a via-sacra do ganho de confiança por parte do consumidor. Assim que a confiança é ganha, vai servir o seu comprador até avariar.
A diferença é que o electrodoméstico não pensa e não entende a sua realidade, mas a verdade é que há pessoas que vivem a vida de um electrodoméstico sem se aperceberem.
Estas pessoas, nalguma altura da vida, vão desenvolver depressões e baixa auto-estima, pois é inevitável que assim aconteça. Nós não somos um electrodoméstico...!
O ser humano foi feito para viver experiências, aprender com a vida. Muitas pessoas são espectadores da sua própria vida e simplesmente adormecem de tanta monotonia.
Seja mais pro-activo, cuide de si e admire as pequenas coisas... o carinho da mãe, o abraço confortante do pai, conversar com a(o) esposa(o) baixinho no escuro do quarto, olhar para o filho enquanto dorme em paz, ouvir as histórias dos avós, etc.

Estas pequenas coisas que não se podem comprar, são o único verdadeiro tesouro da vida!

Gil

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

1. Apresentando a vida de Gil em fábula vinícola

Gil é da colheita de 1981, tendo sido engarrafado no verão. Desenvolveu-se encorpado e cheio de garra, numa adega com todas as condições.
Os enólogos da adega achavam que ele era o melhor vinho feito até então e de pronto começaram a catalogá-lo, a desenhar uma estratégia de marketing e a definir os seus mercados alvos.
Este novo vinho tinha já o seu percurso de sucesso traçado e nada podia falhar, e não era admissível perder-se nem uma garrafa que fosse no processo logístico adega – cliente.
Quando chegou o momento de viajar para o cliente, Gil estava confiante de que iria arrasar e seria um mega sucesso de vendas.
Ao chegar ao destino, Gil verificou que era mais um vinho na prateleira, estando rodeado de outros vinhos de excelente qualidade, provenientes de todas as partes do globo com as mesmas ambições que as suas.
Quando o estabelecimento comercial abriu as portas, Gil rodou por infindáveis mãos, ávidas de ler as suas características, mas acabava por ser sempre colocado na prateleira. No final do primeiro dia tinha sido pouco vendido e tinham-se partido algumas garrafas acidentalmente. Quando caiu a noite, Gil repousou sozinho e duvidoso dos seus atributos, esperando que o próximo dia fosse o seu grande dia…