Gil é da colheita de 1981, tendo sido engarrafado no verão. Desenvolveu-se encorpado e cheio de garra, numa adega com todas as condições.
Os enólogos da adega achavam que ele era o melhor vinho feito até então e de pronto começaram a catalogá-lo, a desenhar uma estratégia de marketing e a definir os seus mercados alvos.
Este novo vinho tinha já o seu percurso de sucesso traçado e nada podia falhar, e não era admissível perder-se nem uma garrafa que fosse no processo logístico adega – cliente.
Quando chegou o momento de viajar para o cliente, Gil estava confiante de que iria arrasar e seria um mega sucesso de vendas.
Ao chegar ao destino, Gil verificou que era mais um vinho na prateleira, estando rodeado de outros vinhos de excelente qualidade, provenientes de todas as partes do globo com as mesmas ambições que as suas.
Quando o estabelecimento comercial abriu as portas, Gil rodou por infindáveis mãos, ávidas de ler as suas características, mas acabava por ser sempre colocado na prateleira. No final do primeiro dia tinha sido pouco vendido e tinham-se partido algumas garrafas acidentalmente. Quando caiu a noite, Gil repousou sozinho e duvidoso dos seus atributos, esperando que o próximo dia fosse o seu grande dia…
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